PF vê indícios de crime de Toffoli no caso Master e aciona Fachin

A Polícia Federal (PF) entregou nesta quinta-feira (12) ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, um relatório explosivo que aponta indícios de prática de crime pelo ministro Dias Toffoli. O documento, baseado em mensagens encontradas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, revela pagamentos suspeitos à empresa Maridt, da qual Toffoli é sócio, desencadeando uma crise institucional sem precedentes na Corte.
Destaques
- Relatório da PF cita artigo da Loman sobre indícios de crime por magistrados, algo considerado mais grave que simples suspeição.
- Investigação encontrou mensagens no celular de Daniel Vorcaro sobre pagamentos à empresa Maridt, ligada a Toffoli.
- Ministro admite sociedade no resort Tayayá, mas nega irregularidades e recusa deixar a relatoria do caso Banco Master.
- Presidente do STF, Edson Fachin, analisa o material e sofre pressão interna para afastar Toffoli do inquérito.
A crise no Supremo Tribunal Federal atingiu um novo patamar nesta quinta-feira. O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, formalizou a entrega de um relatório que detalha vínculos financeiros entre o ministro Dias Toffoli e o Banco Master, instituição investigada por fraudes bilionárias e atualmente em liquidação.
Indícios de Crime e o Artigo 33
Segundo fontes ligadas à investigação, a PF não pediu apenas a suspeição (afastamento por parcialidade) do ministro, mas invocou o Artigo 33 da Lei Orgânica da Magistratura (Loman). Este dispositivo determina o envio imediato dos autos ao tribunal competente quando surgem indícios de crime praticado por um magistrado.
O cerne da denúncia reside em mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Os diálogos indicam repasses financeiros para a Maridt, uma empresa familiar que tem Dias Toffoli como sócio oculto. As transações estariam ligadas à venda de cotas do resort de luxo Tayayá, no Paraná, para um fundo de investimento administrado pela Reag, gestora envolvida no escândalo do banco.
A Defesa de Toffoli
Em nota divulgada pelo seu gabinete, Dias Toffoli quebrou o silêncio. O ministro admitiu ser sócio da empresa Maridt e confirmou a negociação de cotas do resort, mas alegou que todas as transações foram legais e declaradas à Receita Federal.
“O ministro não é amigo de Daniel Vorcaro e jamais recebeu valores a título de vantagem indevida”, diz o comunicado. Toffoli também sinalizou a interlocutores que não pretende renunciar à relatoria do inquérito que investiga o próprio Banco Master, desafiando a pressão de seus pares.
Crise Institucional e Pressão sobre Fachin
O caso coloca o presidente do STF, Edson Fachin, em uma posição delicada. Caberá a ele decidir monocraticamente ou levar ao Plenário a decisão sobre o afastamento de Toffoli. Nos bastidores, ministros avaliam que a permanência de Toffoli na relatoria é “insustentável” e desgasta a imagem do Judiciário. A Procuradoria-Geral da República (PGR) aguarda acesso à íntegra do relatório para definir os próximos passos judiciais.


