Banco Master: PF Bloqueia R$ 5,7 Bi e Prende Ligados a Vorcaro

A Polícia Federal deflagrou a segunda fase da Operação Compliance Zero, visando a cúpula do Banco Master e seu controlador, Daniel Vorcaro. Autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), a ação resultou no bloqueio de R$ 5,7 bilhões em bens e investiga crimes de gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e organização criminosa, no que autoridades já classificam como uma das maiores fraudes bancárias da história do país.
Destaques
- PF bloqueia R$ 5,7 bilhões em bens e ativos ligados a Daniel Vorcaro e associados.
- Fabiano Campos Zettel, cunhado de Vorcaro, foi preso ao tentar embarcar para Dubai.
- Ministro Fernando Haddad alerta para indícios da ‘maior fraude bancária da história’.
- Investigação aponta criação de créditos falsos e manipulação de mercado.
- STF cita ‘fartos indícios’ de continuidade delitiva mesmo após primeiras prisões.
A crise envolvendo o Banco Master atingiu um novo patamar crítico nesta semana com o avanço da Operação Compliance Zero. Sob determinação do ministro Dias Toffoli, do STF, a Polícia Federal cumpriu 42 mandados de busca e apreensão em cinco estados, desarticulando o que os investigadores descrevem como um mecanismo sofisticado de fraude financeira e lavagem de capitais.
Detalhes da Operação e Prisões
Segundo informações da Polícia Federal, a operação focou em interromper a sangria de recursos e a ocultação de patrimônio. Além do bloqueio bilionário de R$ 5,7 bilhões, a ação resultou na prisão de Fabiano Campos Zettel, cunhado do controlador do banco, Daniel Vorcaro. Zettel foi detido no Aeroporto Internacional de Guarulhos enquanto tentava embarcar em um voo para Dubai, levantando suspeitas de fuga e ocultação de ativos no exterior.
O ministro Dias Toffoli destacou na decisão que existem “fartos indícios” de que o grupo continuava a praticar ilícitos, mesmo após as primeiras intervenções regulatórias. A PF apreendeu carros de luxo, obras de arte, relógios de alto valor e cerca de R$ 97 mil em espécie nos endereços ligados aos investigados.
O Esquema de Fraude Bilionária
As investigações apontam para uma gestão fraudulenta sistêmica. De acordo com o inquérito, o Banco Master teria inflado artificialmente seu balanço através da emissão de títulos sem lastro e da criação de créditos falsos. O objetivo seria mascarar a real situação de insolvência da instituição para atrair investidores, incluindo fundos de pensão de servidores públicos (RPPS) e tentar viabilizar uma venda para o BRB (Banco de Brasília) — negociação esta que foi barrada pelo Banco Central.
O Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, expressou grave preocupação, afirmando que o país pode estar diante da “maior fraude bancária da história”, dada a complexidade e o volume financeiro envolvido nas manipulações de mercado detectadas pela autoridade monetária e pela PF.
Impacto no Mercado e Reag Investimentos
O escândalo respingou em outras instituições. O Banco Central decretou também a liquidação da Reag Investimentos, ligada às operações suspeitas do Master. Há um temor crescente sobre o prejuízo causado aos Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS) de diversos municípios, que adquiriram papéis do banco atraídos por taxas de retorno acima da média de mercado.
A defesa de Daniel Vorcaro nega as acusações, afirmando que o empresário colabora com as autoridades e que as operações do banco seguiam as normas vigentes. Vorcaro, que já havia sido detido em novembro de 2026, permanece sob monitoramento judicial.


